Olha, eu tenho vivido dias revirados só porque ás vezes, quando esfria,
eu sinto sua falta. E esses dias revirados têm sido puro inverno. Engraçado como a melancolia vem junto com o
vento. Entrei no clima do revira-volta,
revirei o ármario, a agenda, a gaveta fui me agasalhar do frio, e me vesti de
você! INFERNO! Até escutei sua voz falando baixinho, que essa seria uma boa
rima. Inverno -inferno, que agora tem o mesmo endereço. Até pensei em no seu
sorriso bobo quando eu chegasse pra contar que em cada linha desse texto eu
parei pra olhar o visor do celular imaginando uma nova mensagem!
Eu te vesti quando fui pro sofá liguei o dvd e não quis ver um drama,
escolhi um romance desses mal produzidos, mal legendados e com fim sempre tão
igual. Então o seu eu que agora estava em mim, me dizia que nosso fim seria
diferente, que nosso filme era gravado no olhar um do outro, sem flash, sem
platéia, sem rodeios!
Dormi no sofá. Acordei com sua voz que me chavamava só em
mente, me pedindo baixinho pra não me despir de você, porque no frio a casa é
grande demais pra andar com a alma nua! Qualquer acordo bobo que a melancolia
fizer com o vento, pronto. Resfriado ataca a alma. Congela o pensamento. E
deixa a gente por dias deitada na cama chorando com a trilha da novela. E por
isso eu me vesti ainda mais de você.
Dormi bem com o abraço que você dava na minha alma, que era feito pelos
meus próprios braços. E sonhei outra vez que tua alma ocupava espaço na minha
casa, e minha casa era o que batia em seu peito. Acordei outra vez com sua voz
me chamando baixinho, num timbre que só você alcança, e então fui tratar de ser
o eu que só você tem.
Preparei o café forte, montei mesa pra dois e você me
acompanhou. Dois copos na mesa, dois lugares, dois pratos, dois croassaint , e
um corpo. Bebi duas doses de café, bebi no teu copo, te vesti no meu corpo, e
me alegrei em mim. Olhei pela vidraça e o inverno de ontem tinha ido embora e
achei que era hora de você ir também. E você disse baixinho que podia ficar
mais, que queria ficar mais, e que a gente valia mais. E te vesti outra vez.
Te vesti quando fui até a varanda só pra ver a gente sentados na escada,
ouvindo a musica que era mais minha do que sua, mas a gente dizia que era
nossa! Te vesti quando tocou o telefone eu atendi e disse que não estava,
porque quando estou contigo não estou pra ninguém, não estou pra nada.
E tua
veste me fez companhia por tantos dias, que estavam só por fazer. E a casa foi
mais quente, a mesa mais bem posta, os filmes mais inusitados, a varanda mais
querida, e eu tão mais amada! E você passou a ser minha roupa favorita, te
vestia pra ir à feira, te vestia pra ir a festa, te vestia pra dormir.
E te vesti tantas outras vezes, te vesti sempre, te vesti de novo. E
dizia que era sempre a ultima vez, porque morrer de frio é doloroso, e doloroso
foi quando eu vi que de tanto te vestir estava por morrer de amor! E morri
outra vez!
Morri de amores, morri de dores, morri só por morrer. Não, não estou
dizendo que te vestir tenha sido ruim, me vestir de você era maravilhoso. Ruim
era quando eu lembrava que só te vestia e não te avistava em canto nenhum. E
foi então que fechei a vidraça, porque o inverno chegava outra vez.
P.S: Desculpa a demora em postar novamente! Espero que leiam, beijos.









